Poema Mudo
A poesia é um lume que se acende por dentro,
uma palavra que nunca chego a dizer.
Escrevo para o vento, sem ponto nem centro,
e o que sobra é só o que não pude escrever.
Cada verso é um suspiro da alma escondida,
um segredo sem nome, um silêncio a arder.
Falo comigo, e o mundo, distraído da vida,
passa ao lado, sem nada de novo a entender.
Se me leem, não sabem o que eu quis dizer,
se me escutam, não ouvem a voz que calou.
A poesia é o eco do que não pode ser,
a alma do que em mim, em silêncio, ficou.
Escrevo assim, sem razão nem proveito,
porque é preciso falar do que nunca há-de ter fim.
E o verso, esse estranho confidente perfeito,
fala por mim… sem precisar de mim.
Paulo Brites
Out/2024
Saint-Denis-d'Oléron - França - Poemas - Paulo Brites
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